Ricardo Marques*

A gestão pública moderna caracteriza-se por um modelo de administração gerencial pautado pela crescente participação popular, através de mecanismos criados para garantir que os grupos sociais possam construir essas políticas públicas juntamente com os poderes executivos e legislativos.

Um dos grandes gargalos desse processo é o desinteresse da população, em geral, por conta de uma mídia que insiste em nivelar por baixo as instituições políticas do país e seus representantes. Esse modelo de informação, longe de educar e conscientizar os cidadãos, faz, na verdade, com que estes se afastem ou criem resistências insuperáveis que vão do desinteresse à ojeriza do processo político.

A posição de alguns cidadãos de não querer se envolver é uma posição política ou de despolitização, que faz com que pessoas cujos interesses estão longe de ser o de construir um modelo de democracia participativa.

Vitória da Conquista há pouco mais de uma década vem experimentando um processo oposto. Fruto de uma experiência governamental iniciada em Janeiro de 1997, a administração pública municipal vem se destacando não só por sua capacidade de gestão e de atração de investimentos públicos e privados, mas principalmente por adotar e manter instrumentos participativos efetivos e de resultados.

Um deles, o Orçamento Participativo, estratégia que funcionou bem nos anos noventa e início dos anos dois mil, mas que não se sustentou em outros estados e municípios, mas que vem se mantendo em Conquista não mais como política de governo e sim como um instrumento poderoso de gestão e diálogo com a sociedade.

Mais uma vez, esse ano, teremos um Congresso do Orçamento Participativo, onde possivelmente veremos a participação de representantes de vários setores da sociedade discutindo e decidindo sobre investimentos importantes para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Desde sua criação, o percentual de obras entregues provenientes do OP chega a mais de oitenta por cento, um número extremamente positivo, considerando que são obras da decisão direta da população.

Mas há outro fato novo nessa gestão, que em seu quarto mandato continua criando formas de diálogo com a população. Dessa vez, nada que esteja previsto no Sistema Municipal de Planejamento ou que tenha características formais de exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal. É, na verdade, um instrumento de responsabilidade social: a Roda de Conversa.

Um dos elementos da política da boa governança é a busca do consenso, do diálogo e da participação. Mas até hoje os encontros da população com seus gestores sempre foram pautados pela formalidade e pela priorização das “autoridades constituídas” como se esses fossem os únicos possíveis e principais interlocutores das necessidades do cidadão comum.

A revolução silenciosa da Roda de Conversa está em sua dinâmica de diálogo: ali o homem do povo é o principal porta-voz, seja através do seu discurso ou mesmo dos seus olhares e outras formas silenciosas de participação.

Sem mesa de autoridades, sem ordem oficial de falas, sem formalidades e cerimoniais, os encontros com o Prefeito Guilherme Menezes e o povo de Conquista estão acontecendo cada vez mais e principalmente nos bairros populares, sem o arcabouço formal do estado, mas sim com a palavra simples e direta do morador junto ao seu gestor, fazendo com que as demandas do dia a dia da comunidade se transformem em políticas públicas e retornem ao governo como prioridades de gestão saídas do seio direto da comunidade.

Por isso, Conquista tem há tanto tempo se tornado exemplo de administração pública comprometida e não só com a teoria e com os aspectos burocráticos necessários à boa gestão, mas também e principalmente como um modelo inovador de relacionamento direto (e não apenas midiático) com a sua população.

*Ricardo Marques – Administrador, Professor de Teoria e Gerenciamento de Empreendimentos Públicos e Mestrando em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Atualmente é Vice Prefeito de Vitória da Conquista.