Vários moradores da capital da Líbia afirmaram neste sábado, 26, que o regime do líder líbio, Muamar Kadafi estaria armando simpatizantes civis para montarem bloqueios nas estradas e atacar os manifestantes.

A revolta popular que se espalhou para várias partes do país constitui o maior desafio que Kadafi já enfrentou em seus 42 anos no poder. O ditador tem mantido o controle da capital, Trípoli, com vários atos de violência contra os manifestantes, mas os rebeldes dominam quase metade do litoral líbio.

Forças aliadas à Kadafi abriram fogo contra manifestantes após as orações de sexta-feira dos muçulmanos. O líder líbio, discursando a partir das muralhas de um forte histórico de Trípoli, disse aos aliados para se prepararem para defender a nação.

“No momento apropriado, vamos abrir o depósito de armas para que todos os líbios e tribos se armem e a Líbia torne-se vermelha com fogo”, disse Kadafi.

Um empresário de 40 anos, afirma ter visto neste sábado apoiadores de Kadafi saírem com armas de uma das sedes do Comitê Revolucionário do regime.

Ele disse que o governo estaria oferecendo um carro e dinheiro para qualquer aliado que trouxer outras três pessoas para se unirem aos grupos pró-regime. “Eles vão armá-los para dirigirem em torno da cidade e aterrorizar as pessoas”, afirmou o empresário.

Outros moradores relataram ter visto caminhões cheios de civis com rifles automáticos, patrulhando as suas vizinhanças. Muitos dos homens são jovens, ainda adolescentes, e usam braçadeiras verdes ou panos na cabeça para mostrar sua filiação ao regime, segundo moradores. As pessoas não quiseram se identificar, por medo de represálias.

Rebeldes. O chefe das Forças Armadas da parte oriental da Líbia, que está sob controle de opositores, brigadeiro-general Abdul Musa Nafa, pediu hoje aos outros oficiais do país que “marchem para Tripoli” e se rebelem contra o regime de Kadafi.

Em uma entrevista coletiva na cidade de Benghazi, o general descartou “por enquanto” uma ação militar dos insurgentes da “zona liberada” em Trípoli.
Estadão