Júlio Cesar Cardoso*

A moralidade pública deveria ser uma característica de qualquer parlamentar. Entretanto, o país assiste o Congresso Nacional ser formado por indivíduos da pior qualidade. Respeito aos valores institucionais e morais da República não existe mais.
Quando uma quadrilha de indecorosos políticos, hoje respondendo a processo no moroso STF, foi descoberta praticando graves irregularidades, ficou comprovado por que o Brasil ainda não acabou com a miséria social: o dinheiro público é gasto para sustentar a corrupção política brasileira.

A corrupção endêmica dos homens públicos brasileiros, e muitos, hoje, protegidos sob o manto podre da cúpula política do PT, transcende os limites da moralidade e desrespeita o eleitor, que é o responsável infelizmente pela qualidade de nossos parlamentares e governantes.

Pois bem, que (?) virtude moral e respeito com as instituições públicas brasileiras tem o deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP), ao declarar, conforme está publicado na revista Veja, que “o Jobim deu um recado ao governo e ao PT. Por que nossos ministros não convidam companheiros processados para trabalhar? Vamos vencer a batalha da opinião pública.”

A sua irresponsabilidade com a desconsideração de apuração de um processo penal, ao ensejar clima de estado anárquico e antidemocrático, demonstra o baixo grau de moralidade pública de um parlamentar federal, cujo cabide de emprego político é bancado por brasileiros honestos, que são espoliados diariamente com a cobrança de alta carga tributária para manter um Congresso Nacional conspurcado de oportunistas, mascarados de representantes do povo.

Esse deputado deveria ser levado ao conselho de ética por suas irresponsáveis declarações, a despeito de sabermos que a Câmara dificilmente cassa político indecoroso. Mas se tivéssemos outra ordem política e constitucional, dando ao povo maior poder de decisão no Parlamento, político dessa espécie seria certamente banido da vida pública.

Deputado Devanir Ribeiro, mesmo contra a sua vontade, ainda vivemos num Estado Democrático de Direito, onde a opinião pública é livre para expressar, denunciar e exigir a punição de todos envolvidos na quadrilha dos mensaleiros, que chafurdou a história política brasileira.
*Júlio Cesar Cardoso – Bacharrel em Direito e servidor federal aposentado