E o povo fica de bobo, ouvindo balela e recebendo balas
Vanderley Soares*
Já é unanimidade entre os baianos que, mesmo que a greve acabe amanhã, a realização do carnaval de Salvador, apesar dos prejuízos financeiros e de imagem para o Estado, seria um grande risco realizá-lo.
A greve dos policiais civis na Bahia está no seu nono dia e sem nenhuma solução aparente. De um lado os policiais cercados pelo Exército e Força Nacional na Assembleia Legislativa, com reivindicações justas, mas divididos entre um grupo ordeiro e outro que aponta as armas para os cidadãos, promove badernas, quebra-quebra e até fechamento de ruas, avenidas e estradas estaduais e federais. Do outro o Governo do Estado, que alega que não pode pagar mais do que a lei permite para não onerar os cofres públicos e, no meio desse tiroteio de argumentos e pressões, o povo, o bobo da corte, que assiste de forma apreensiva pelos quatro cantos da Bahia o aumento generalizado da violência.
Dois grupos estão se digladiando em meio a tudo isso, a oposição e situação. A situação, que deixou Brasília para solidarizar-se com o Governador, e os deputados de oposição, que apóiam os grevistas e suas atitudes insanas. Que os policiais ganham mal isso todos nós sabemos. As últimas notícias dão conta de que a única coisa que falta é a revogação das prisões”, diz líder sobre fim da greve. O Secretário afirma que a revogação das prisões não depende do governo do Estado e sim da Justiça. A anistia a todos os policiais militares envolvidos na greve parcial e anulação dos mandados de prisão dos 12 líderes do movimento é a principal reivindicação dos grevistas para por fim à paralisação.
A bancada de oposição na Assembléia Legislativa divulgou uma nota onde diz que, como fez desde o primeiro momento, reitera a sua disposição de contribuir para que a Bahia saia do atual impasse. A greve dos policiais militares já causou conseqüências dramáticas à população. É chegada a hora de restabelecer a paz e a tranquilidade entre os baianos. Infelizmente o grande responsável pela duração e intensidade da atual greve da PM é o Governo do Estado. O movimento poderia ter sido evitado ou terminado rapidamente. Mas o que esperar de um Governo que, durante cinco anos, assistiu passivamente o crescimento da violência na Bahia atingir 22.000 homicídios?A greve da PM ocorre num ambiente de grande fragilidade da segurança pública no Estado, gerada por sucessivos erros na sua condução, concluiu a nota.
A grande maioria do povo baiano, já tão sofrida com o analfabetismo e a pobreza que imperam pelos rincões afora, apoia uma atitude coerente entre os dois lados. E também já é unanimidade entre os baianos que, mesmo que a greve acabe amanhã, a realização do carnaval de Salvador, apesar dos prejuízos financeiros e de imagem para o Estado, seria um grande risco realizá-lo.
O povo baiano está preocupado com a segurança. Sitiados em suas próprias casas, com centros comerciais fechados pelos atos de vandalismos e pelos ladrões oportunistas que aproveitam a fragilidade do momento, o baiano não sabe mais a quem apelar, uma vez que todas as instâncias jurídicas e administrativas já estão por aqui instaladas.
Que o bom senso prevaleça e que os marginais da polícia sejam banidos, que o governador do estado arque com o ônus de ter colocado o Estado da Bahia no noticiário internacional como um centro ingovernável, sim, pois segurança pública é tudo. E o povo, os comerciantes, os prestadores de serviços, principalmente os bares, restaurantes e hotéis, como serão compensados por tamanha desgraça que abateu sobre nós?
Que o povo saiba também discernir que os bandidos que estão hoje na Polícia Militar podem estar se promovendo para um futuro no parlamento, onde estarão livres e impunes. É preciso ficar atento para não ser iludido, nem pelo governo nem pelos bandidos de farda. E que os deputados baianos pensem que a Bahia é uma só, senão, corremos o risco de uma separação, divisão já proposta no Congresso Nacional. Hoje essa divisão já é vista, mas estão de um lado os que prometem, os que fingem que trabalham, mas que estão com suas fardas apenas como crachás para o crime, e aqueles que honram suas fardas, suas família e respeitam o estado democrático instituído.
Vanderley Soares – Radialista/jornalista DRT 5802














