Seis soldados da Polícia Militar foram presos na noite de segunda-feira (13), em Ilhéus, região sul da Bahia sob suspeita de participarem de motim durante a greve da categoria. De acordo com o coronel Antônio Reis, comandante da PM no sul do estado, todos os os policiais presos eram lotados na Rondesp de Ilhéus.

Segundo informações da assessoria de comunicação da PM, os mandados de prisão foram expedidos pela Justiça Militar com base no artigo 149 [motim], do código penal militar. A assessoria informou ainda que esses mandados não fazem parte dos 12 expedidos pela Justiça no período da paralisação dos policiais militares e que, durante o movimento, foi criada uma Força Tarefa, composta por integrantes do Ministério Público Estadual, Justiça, Polícias Militar e Civil, com o objetivo de apurar o envolvimento de militares e civis em crimes durante a paralisação. Até esta terça-feira, nove PMs foram presos sob a suspeita de liderança e motim durante a greve da PM.

De acordo com o advogado dos seis soldados presos em Ilhéus, Valdimiro Eutimio, os policiais participaram do movimento fazendo aquartelamento (cumpriam expediente sem sair da companhia). “Eles [os soldados] não participaram de nenhum motim, cumpriram expediente normal na companhia, sem sair de lá. Vou pedir revogação amanhã [quarta-feira]”, afirmou.

A assessoria da PM informou que os policiais foram trazidos, ainda na segunda-feira (13), para a Coordenadoria de Custódia Provisória da Polícia Militar, localizada em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, onde permanecem à disposição da Justiça.

A assessoria da Polícia Militar ressaltou que a anistia só foi concedida para PMs que cometeram transgressão no âmbito administrativo, como por exemplo falta ao trabalho. Para aqueles que são suspeitos de crimes, segundo a assessoria da PM, não haverá anistia.

Outras prisões
A primeira prisão de militares envolvidos na greve ocorreu no dia 5 de fevereiro, quando um dirigente da Associação dos Profissionais de Polícia e Bombeiros (Aspol) foi preso pelo Comando de Operações Táticas, a “tropa de elite”, da Polícia Federal. No mesmo dia, um soldado lotado na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (COPPA) foi detido e levado para a Polícia do Exército em Salvador. No dia 7 de fevereiro, um sargento apontado como um dos líderes do movimento foi detido pela Polícia Federal também na capital baiana.

A prisão preventiva dos PMs presos durante a greve foi decretada pela juíza Janete Fadul. Foram 12 mandados expedidos para policiais considerados suspeitos de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público. Esses PMs também vão passar por um processo administrativo na própria corporação.

Greve
O movimento da PM na Bahia começou parcialmente no dia 31 de janeiro e durou 12 dias. Após assembleia, no sábado (11), policiais militares decidiram encerrar a greve. A desarticulação total do movimento aconteceu a cinco dias do início do carnaval de Salvador. O grupo que participou do encontro havia insistido na manutenção da greve mesmo após desocupação da Assembleia Legislativa e da convocação oficial do governo do estado para o retorno imediato ao trabalho.

A decisão na noite de sábado contou com a mediação do deputado estadual Capitão Tadeu Fernandes. Segundo ele, o principal argumento utilizado com os líderes do movimento foi a garantia dada pelo governo de não aplicar punições administrativas aos policiais que não retornaram ao trabalho. “Os líderes estavam querendo resolver essa questão. Eu fui apenas um mediador. Fui chamado para conversar com o comandante [coronel Alfredo Castro] e com os grevistas. Enquanto não conversasse com os líderes aqui, não teria solução”, disse ao G1.

Após a assembleia, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Alfredo Castro, e o secretário de Comunicação do Estado, Robson Almeida, receberam a imprensa para fazer comunicado oficial sobre a manutenção da proposta do governo com relação ao reajuste de 6,5% e o pagamento escalonado das gratificações.
G1