bebeEm dez anos catando material reciclável para complementar a renda da família, o vigilante Jailton Mendes da Silva, 46 anos, não esperava que encontraria uma criança recém-nascida em um cesto de lixo. Na manhã deste domingo (6), por volta das 9h30, Jailton passava de bicicleta pela rua Iraci Galvão Pedreira, no bairro Ipitanga, em Lauro de Freitas, quando avistou uma caixa de papelão dentro do cesto de lixo em frente ao Condomínio Summer Beach Residence.

“Vi a caixa e pensei em pegar, até porque as vezes as pessoas colocam latinhas dentro. Quando abri, vi o bebezinho com o rosto descoberto, vestido com uma blusa rosa e com um pano branco por cima. Estava dormindo”, contou Jailton.

Assustado, o catador saiu pela rua gritando e pedindo ajuda, quando encontrou a estudante Dilma Gonçalves Santos, 33 anos, que passava de carro. “Fiquei arrasada e preocupada com a criança”, disse a mulher. Dilma chamou o marido e, junto com o catador, eles saíram pelas ruas do bairro em busca de uma viatura policial.

“Como não achamos polícia nas ruas, fomos até a delegacia. Lá nos orientaram a levar a criança para o hospital. Depois voltamos com Jailton para registrar a ocorrência e prestar esclarecimentos”, contou o técnico Selmo Ferreira, 47 anos, marido de Dilma.

Maria Esperança, como está sendo carinhosamente chamada pelos funcionários do hospital, foi atendida ainda com o cordão umbilical pendurado no corpo, mas não havia restos de placenta dentro da caixa.

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a menina passa bem. Ela mede 47cm e pesa 2,6kg. Maria Esperança foi levada para o berçário e faz exames de rotina. Não há previsão de alta.

A polícia não soube informar o paradeiro dos pais, nem quem deixou a menina no lixo. Preocupada com a criança, Dilma voltou ao hospital para se certificar de que a pequena ficaria bem. “Fiquei muito nervosa. Enquanto ela estiver no hospital, eu voltarei lá para visitar”, comentou.

Pela tarde, agentes do Conselho Tutelar estiveram no hospital e organizaram documentação e registro de atendimento da criança. Os papéis foram encaminhados para Juizado de Menores, que definirá para onde Maria Esperança será levada.

Correio24h