Incêndio-na-Chapada-DiamantinaUm incêndio de grandes proporções atinge o Parque Nacional da Chapada Diamantina desde a sexta-feira (11). O foco inicial foi na Serra do Ramalho, próximo ao município de Andaraí.

Segundo o brigadista voluntário Homero Vieira, o fogo já ocupa uma área de 200 a 300 hectares. Um hectare equivale aproximadamente a um campo de futebol. Outros dois incêndios ocorreram na Chapada, neste final de semana, próximos a Mucugê e Vale do Capão, mas já foram controlados.

Vieira, presidente dos Combatentes de Incêndios Florestais de Andaraí (Cifa), diz que o local é de difícil acesso, precisariam de mais pessoas e equipamentos para conter o incêndio. “Não existe nenhuma logística de alimentação, equipamento, nenhum apoio. Temos necessidade de uma aeronave. Pela extensão do fogo, teríamos que ter uns 120 brigadistas”, afirma. Segundo ele, apenas 20 brigadistas estão combatendo o incêndio.

 Pablo Casella, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), organização que administra o Parque, afirma que os três incêndios não têm ligação uns com os outros. “São três casos independentes, as regiões são muito distantes”, diz. Ele conta que quase sempre a causa do incêndio é humana, seja de maneira proposital ou por acidente. “

O clima pode ter participação na propagação, mas não no início do incêndio. Em 99% das vezes o fogo vai começar pelas mãos de alguma pessoa”, conta. “A única fonte de incêndio natural na Chapada são os raios. Existe, é conhecido, testemunhado, mas raro. No cenário climático e vegetação da Chapada não conhecemos combustão espontânea”, conclui.
 A única suspeita de autoria é do incêndio em Mucugê. Os brigadistas voluntários que atuaram no combate ao fogo suspeitam de um homem conhecido por ter problemas mentais. Ele já teria iniciado outros incêndios na região. “Tem um cara que estava colocando fogo na região, ele já foi preso uma outra vez, mas foi solto. A gente fica sem ter o que fazer”, conta Lourinaldo Mourato, chefe de esquadrão da Prevfogo. “Tem filmagens e foto desse homem colocando fogo. Já está nas mãos da justiça para tomarem as medidas cabíveis”, afirma.
 Casella aproveita para fazer um apelo por apoio aéreo. “Esses incêndios demandam combate aéreo, como é feito no mundo todo. Estamos fazendo bravamente o combate terrestre, mas precisamos do apoio aéreo, principalmente de helicópteros. Eles fazem um trabalho importante que é chegar rapidamente no local do incêndio”, conta. Ele diz que, ocasionalmente, recebem apoio do Grupamento Aéreo (Graer) da Polícia Militar e do helicóptero da Casa Civil do estado.

Ainda não há avaliação sobre os prejuízos causados pelos incêndios. Casella lista os efeitos mais prováveis. “Os danos genéricos são diretamente sobre as populações de plantas, animais e microorganismos. Podemos falar em prejuízo no sistema de recarga hídrica na serra do Sincorá, que é o que garante o fornecimento de água para os rios da bacia do Paraguaçu”, enumera, explicando com uma metáfora. “O sistema de solo e plantas é como uma esponja. As plantas ajudam a absorver a umidade da atmosfera. Sem as plantas, a esponja fica menos absorvente”. Casella conta ainda que o Brasil é um dos quatro países que mais emitem gases do efeito estufa, por conta da grande quantidade de queimadas florestais.

Outros incêndios
No sábado (12), por volta das 11h, houve um alarme de incêndio próximo a Mucugê. Segundo Casella, foi combatido por equipes do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama) e do ICMBio, além de bombeiros e voluntários de Mucugê e Barra da Estiva. O incêndio foi controlado na noite de domingo (13) e é considerado extinto.

 Um terceiro incêndio aconteceu ontem (13) na região conhecida por Gerais dos Vieiras, próxima ao Vale do Capão. As chamas foram combatidas por uma brigada voluntária do local. Segundo Casella, a brigada retornou às 4h desta segunda, mas ainda não há informações sobre se o incêndio foi extinto.

“Eles controlaram, mas não extinguiram. Seria necessário um outro trabalho, de extinção, mas ainda não temos pessoas para isso. Ainda estamos em alerta”, afirma. Casella conta ainda da possibilidade de outro foco. “Eles estão visualizando uma fumaça perto do morro Manoel Vitor, que é próximo. Não sabemos se é o mesmo ou outro incêndio”.

A Tarde