abrolhosUma análise realizada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) não encontrou indícios que comprovem que os sedimentos da barragem de Mariana, em Minas Gerais, atingiram as águas do Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia. A informação foi divulgada ao G1, na tarde desta quarta-feira (27), pelo secretário de Meio Ambiente do Estado (Sema), Eugênio Spengler.

O resultado coincide com o divulgado pelo laboratório independente contratado pela mineradora Samarco, que apontou não haver alteração do mar na região que estivesse relacionada ao rompimento da barragem de Fundão.

“Já tivemos conhecimento do laudo emitido pela empresa a pedido da Samarco, mas também já estamos com os resultados das amostras coletadas pelo Inema nas praias e na foz dos rios que desaguam no Arquipélago de Abrolhos. Ambos os resultados coincidem, já que não encontraram indícios da lama da barragem. A coleta feita por nós foi mais perto da praia, enquanto a realizada pela Samarco foi numa região mais afastada do litoral, mas não foi localizado nenhum resíduo que esteja associado a Mariana”, destacou.

O secretário disse, no entanto, que também aguarda o resultado da análise feita pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela região de Abrolhos, que está prevista para o fim de fevereiro.

“Esse é um processo mais detalhado e mais complexo, porque eles pediram análise de metais pesados que possam ter sido encontrados no local. E essa análise ainda não ficou pronta. Na avaliação do Inema não foi feita análise de matais pesados, porque nenhuma análise feita em Mariana encontrou metais pesados. Portanto, a análise do ICMBio é mais profunda, por isso requer mais tempo. Mas, levando em consideração tudo que já levantamos desde o início de janeiro, com base em especialistas, com base no movimento da mancha e do monitoramento realizado pelo Inema, a probabilidade de haver resíduos em Abrolhos gerados pelo acidente de Mariana é muito remota”, destacou.

Sobre a mancha suspeita encontrada no início do mês no entorno do santuário de Abrolhos, e cuja foto foi divulgada pelo governo baiano em 8 de janeiro, o secretário informou que ela pode ter surgido por causa da chuva. “Como ela apreceu num período de chuva no sul da Bahia, e essas chuvas alimentam os rios que desaguam na região, a probabilidade é de que tenha sido formada por resíduos de materia orgânica e resíduos minerais que entram por causa da chuva”, afirmou.

A suspeita de que a lama de rejeitos de minério pudesse ter chegado ao sul da Bahia foi levantada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no início do mês. Nesta quarta, por meio da assessoria de comunicação, o Ibama informou que aguarda a divulgação do resultado final das análises feitas ICMBio.
O rompimento da barragem da Samarco ocorreu em 5 de novembro de 2015 e causou uma enxurrada de lama no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na região Central de Minas. A lama chegou ao mar pelo Rio Doce, depois de ter passado por cidades mineiras e do Espírito Santo.

Laudo
O resultado de análises feitas pelo laboratório ALS Corplab, com sede em São Paulo, contratado pela mineradora Samarco, e divulgado pela empresa nesta terça-feira (26), aponta que os testes da água coletada em Abrolhos indicaram ausência de óxido de ferro, um dos elementos que remeteriam à pluma de turbidez (massa de água com sedimentos) do Rio Doce. “A qualidade da água coletada em diferentes dias mostrou que os parâmetros estão dentro dos limites do Conama 357 nível 1 (água salina), não havendo anormalidades”, disse a Samarco, em nota.

A empresa também afirmou que, além da comprovação trazida pelos laudos, os acompanhamentos diários feitos nos dois Estados indicam que a turbidez das praias no norte do Espírito Santo e sul da Bahia está dentro da normalidade, o que torna improvável uma presença da pluma na região de Abrolhos.

De acordo com a Samarco, existem outros fatores de influência de movimentação de sedimentos na região costeira do Espírito Santo e sul da Bahia que podem explicar o aparecimento de sedimentos em Abrolhos, no último dia 7 de janeiro. Segundo a empresa, houve o registro de fenômenos climáticos que ocasionaram a formação de ondas no litoral (entre 1,5 m e 2,5 m) que provocaram ressuspensão natural de outros sedimentos.

A Samarco ainda disse que realiza o monitoramento constante da qualidade da água em dezenas de pontos ao longo do Rio Doce e na sua foz, além de uma grande extensão no litoral, disponibilizando-os periodicamente às autoridades.

João Carlos Thomé, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas do ICMBio, responsável pela região de Abrolhos, disse na noite de terça que aguarda o resultado das análises das amostras colhidas pelo órgão. O material, segundo ele, ainda está sendo filtrado pelas equipes do projeto Coral Vivo, em Porto Seguro, antes de ser enviado para laboratórios das universidades do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).

“O prazo dado para conclusão foi de trinta dias. Tem que fazer a filtragem e a prepação, antes do material de ser enviado para o Rio de Janeiro e para o Rio Grande do Sul. Portanto, essa primera etapa está ainda sendo finalizada, mas as coletas deverão ser encaminhadas ainda nesta semana. A UERJ já vem trabalhando com amostras do Rio Doce e vai poder nos dizer se os sedimentos são ou não do Rio Doce. Além disso, no Rio Grande do Sul vão ser feitos outros exames ecotoxicológicos”, disse Thomé.

Abrolhos
De acordo com o ICMBio, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, com área de cerca de 91.300 hectares, compõe o bioma marinho. Cinco ilhas estão dentro dos limites do parque, porém uma delas não faz parte dele e está sob jurisdição da Marinha do Brasil.

Segundo o órgão ambiental, só é permitido o desembarque em uma das ilhas, a Siriba. Na ponta sudoeste da ilha, centenas de pequenas conchas e corais se acumulam, formando uma espécie de praia. A outra extremidade é formada por piscinas naturais que abrigam peixes coloridos e outros organismos marinhos.
G1