O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o principal alvo da 24ª fase da operação Lava Jato, realizada na manhã desta sexta-feira.

Agentes da Polícia Federal chegaram ao apartamento do petista em São Bernardo do Campo por volta das 6h para cumprir ordem de busca e apreensão emitida pelo juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, responsável pelos processos da operação em primeira instância. Além disso, Lula é alvo de um mandado de condução coercitiva (quando o investigado é obrigado a depor).

O filho do ex-presidente, Fábio Luiz da Silva, mais conhecido como Lulinha, também é um dos alvos da investigação: agentes da PF estão em seu apartamento em Moema, zona sul de São Paulo. A nova etapa da Lava Jato, batizada de Aletheia, faz referência à entidade mítica grega ligada à ‘busca pela verdade’. Segundo a PF, a operação de hoje tem relação com os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao escândalo de corrupção na Petrobras.

O ex-presidente é suspeito de ter recebido vantagens indevidas de empreiteiras durante e após seu mandato, como por exemplo a reforma de um sítio frequentado por ele em Atibaia e de um apartamento tríplex no Guarujá. As obras em questão teriam sido pagas pelas empresas Odebrecht e OAS.

Os desdobramentos da operação de hoje devem ser catastróficos para o Governo e para Lula, que ainda tentava se manter como um candidato viável para disputar a presidência em 2018. A Aletheia acontece menos de 24h depois do Planalto ter sido sacudido por informações não oficiais de que o senador Delcídio do Amaral, que havia sido preso pela Lava Jato, implicava Dilma e Lula em sua delação premiada.

No total, a Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira 33 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva, nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O Instituto Lula, ligado ao ex-presidente, também é um dos alvos da operação. Seu presidente, Paulo Okamoto, também deverá ser levado coercitivamente para depor. Grupos favoráveis e contrários ao petista estão na frente do prédio dele em São Bernardo, e houve princípio de confusão.

Desde o final de semana já havia a expectativa por parte de setores do PT de que o ex-presidente seria a bola da vez da força-tarefa que investiga corrupção na Petrobras. Na festa de aniversário de 36 do PT, realizada no sábado, Lula chegou a dizer que sabia que teria seus sigilos fiscais e telefônicos quebrados em breve.

Desde o início do mês a equipe jurídica vinha travando uma batalha para impedir que ele tivesse que depor sobre os imóveis envolvidos no esquema – o sítio e o tríplex. Ele chegou a ser convocado para comparecer ao Ministério Público de São Paulo, mas uma manobra protelatória de seus advogados impediu que ele prestasse depoimento no local.

No sábado o ex-presidente se valeu do estilo a melhor defesa é o ataque, e se manifestou publicamente pela primeira vez sobre o tríplex. “Eu digo que não tenho o apartamento (..) a empresa [OAS] diz que não é meu. E um cidadão do Ministério Público, obedecendo ipsis literis ao jornal O Globo e à Rede Globo, costuma dizer que o tríplex é meu”.

O ex-presidente afirmou, depois de semanas sem se manifestar, que o sítio foi um presente dado por iniciativa de seu amigo Jacob Bittar, fundador do PT. “Ele inventou de comprar uma chácara para que eu pudesse utilizar quando eu deixasse a Presidência”, afirmou ele, negando que seja proprietário do imóvel, embora a chácara abrigue diversos bens de uso pessoal da sua família. Nesta semana, por exemplo, a imprensa publicou que os pedalinhos do lago do sítio têm os nomes dos netos do ex-presidente.
ElPaís