Nesta época do ano, falamos sempre sobre as campanhas e ações que as marcas promovem mirando o Dia das Mães. Filmes e peças emocionantes exaltando a primeira e provavelmente mais importante pessoa que conhecemos na vida surgem ao lado de ações diversas que têm essas mulheres como foco. Mas, e quanto àquelas que estão por trás de toda essa produção?

Elas já provaram que lugar de mulher é (também) no mercado publicitário. Apesar de ser um ambiente extremamente competitivo e que requer uma rotina muito acelerada, as mães publicitárias mostram que sim, embora não seja fácil, é possível e extremamente produtivo conciliar a carreira profissional com o ofício que não dá férias que é ser mãe.

Ouvir com atenção as aventuras dos filhos e o briefing do cliente, encarar a responsabilidade de liderar uma equipe e dar aquela bronca necessária nos pequenos, cumprir o deadline e não chegar atrasada na apresentação da escola, ganhar um leão em Cannes e o abraço apertado no final de um dia não tão bom. Elas lidam com tudo isso com a maestria digna de super-heroínas. Nada mais justo, então, que conhecermos o que elas próprias, as “mãecitárias”, têm a dizer sobre essa dupla jornada. Confira nos depoimentos abaixo:

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Adriana Nigro, diretora de Atendimento da Y&R

“Ouvi há muito tempo que a relação entre a dedicação ao trabalho e aos filhos tem que ser pautada na equação Quantidade x Qualidade. Achei que era bobagem e discurso da boca pra fora, mas na vivência diária e com a maturidade acredito piamente nessa equação. Já passei pela experiência de abandonar o lado profissional e dar um tempo na carreira para cuidar das minhas duas filhas. E esse tempo foi essencial pra elas e pra mim, para entender como faria essa equação. Já que na época não estava dando conta nem do lado profissional, nem do lado materno.

Porém, quando me dediquei somente a elas, pelo lado materno, passei por um processo de procrastinação também, que veio obviamente pela frustração de estar fora do mercado e da sensação de ter abandonado a carreira que sempre busquei.

Hoje ainda tenho uma rotina bem puxada. E apesar das minhas duas filhas estarem grandinhas (20 e 15 anos), elas ainda dependem muito de mim. Por exemplo, acordo às 5:30 para fazer café da manhã e levar a Graziella na escola. Este tempo é essencial para nós duas, sozinhas, conversarmos e ela me contar suas coisas. Logo depois de deixá-la na escola, cuido das coisas da casa, cachorro etc, e consigo seguir meu dia mais tranquila, focada na minha rotina de agência. Trabalhar especificamente no mercado publicitário não é muito fácil, pois nem sempre temos um horário razoável para seguir nossa rotina extra-agência. Hoje tenho a sorte de estar numa agência que respeita demais o lado pessoal, principalmente o lado mãe, e permite que a gente consiga conciliar todas as tarefas.”

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Isis Ribeiro, redatora da Dentsu Brasil

“Como faz para deixar aquele sorriso banguela em casa e se concentrar num trabalho que exige tanto do nosso tempo, dedicação e pensamento? Eu ainda não descobri. Mas saber que todas as mulheres passam por isso e tudo fica bem no final, ajuda muito.

Uma coisa eu posso dizer com certeza: cuidar de bebê cansa muito mais do que qualquer trabalho. É uma dedicação full time que muitas vezes não é possível quando se está trabalhando. Por isso é preciso se organizar muito, ter foco total no momento do trabalho e tentar ao máximo ajustar a nova vida nessa agenda louca da propaganda.

Se tem uma coisa boa que os anos de trabalho em agência traz na hora de ter filho, é estar acostumada a virar noites. Tiro de letra quando preciso passar a noite cuidando dele.”

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Laura Florence, VP de criação da LOV

“Um dia um diretor de criação das antigas bradou no meio da agência ‘Criação não é lugar pra mães.’ Não era mãe naquela época, mas desde então, queria provar o contrário.

Me tornei mãe do Dede uns dois anos depois. Quase dei o braço a torcer para aquele senhor preconceituoso. Mas, teimosa que sou, resisti. Não é nada fácil ser mãe e criativa. Há quem pense que é impossível: trabalhei com meu filho no colo, levei ele de canguru pra filmagens e virei duas noites seguidas várias vezes: uma na agência e outra em casa cuidado de um bebê com febre.

Um dia, quando Dede ainda era um bebê, depois de virar a noite cheguei em casa e decidi que ao invés de dormir, iria com ele para natação. Ele me estranhou na piscina e não parou de chorar até que a babá me substituiu. Todas as vovós e mães presentes choravam e me consolavam dizendo que um dia ele teria orgulho de mim.

O tempo passou e as coisas foram ficando mais fáceis. A previsão se concretizou. Hoje me acompanha em alguns trabalhos por pura curiosidade. Essa foto é de uma última filmagem que foi até as 3 horas da manhã. Ele se recusou ir embora pra dormir.  Queria ouvir as famosas palmas que damos no fim de toda diária.”

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Elise Passamani, diretora de RH e Administrativa do Grupo Newcomm

“Nós mulheres lutamos por direitos iguais e, pouco a pouco, estamos evoluindo nessa direção. Neste contexto, os nossos desafios se intensificaram. Temos que diariamente comprovar a nossa capacidade nata de sermos multitarefa, de nos desdobrarmos, para que possamos cumprir mais funções, equilibrando a família e o trabalho. E isso só acontece na medida em que as famílias se transformam, com um apoio maior também dos pais, para que todos possam exercer os dois papéis: tornar os filhos cidadãos de bem e felizes, sem deixar de buscar a realização profissional. Como profissional da área de RH tive e tenho a oportunidade de acompanhar de perto o crescimento profissional de inúmeras mulheres bem sucedidas no mercado publicitário, sem nunca ter aberto mão de viver a experiência da maternidade em sua plenitude.”

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Renata Sanchez, diretora executiva da Propeg

 

“Ser publicitária e ser mãe não é tarefa fácil. Ser publicitária e mãe de 4 filhos é ainda menos fácil. Ser publicitária e mãe de 4 filhos homens e adolescentes é menos fácil ainda. Mas se fosse fácil não seria tão bom, tão gratificante. Amo o que faço e amo ser mãe.

Não pretendo ser perfeita em nenhuma das minhas funções e dentro minha imperfeição, sou a melhor mãe e a melhor publicitária que tenho conseguido ser. É assim tenho conseguido ser feliz e plenamente realizada!”.

Janaina Luna, diretora de atendimento-Grey Brasil

“Me tornei uma profissional muito melhor depois que fui mãe. Abriu uma nova lente de como olhar o mundo. Fica mais fácil, por exemplo, saber o que de fato é importante. Se tem mais equilíbrio. Sem falar que ter filho também faz a gente se manter ainda mais atualizado e conectado nesse mundo hiper veloz”.

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Andreia Barion, redatora da WMcCann

“Já acreditei que conciliar a criação de campanhas com a criação de filhos fosse impossível. Quando minha primeira filha nasceu, não voltei da licença-maternidade. Fiquei 8 anos longe de grandes agências e do trabalho em período integral. Nesse tempo, me formei em psicologia – estava realmente disposta a fazer outra coisa da vida – e tive mais uma filha.

A Helena e a Olivia realmente tiveram uma mãe muito presente e apaixonada durante os anos mais importantes para a formação delas. Foi uma delícia. Em 2014, quando a Olivia já tinha quase 3 anos, em vez de investir na minha nova profissão de psicóloga, comecei a sentir muita saudade da propaganda e voltei. Hoje, trabalho na WMcCann e a vida está bem mais corrida. Tento ser mais focada durante o tempo que fico na agência para não sair tarde. Coordeno tudo em casa a distância. Estou menos presente fisicamente, mas sei exatamente tudo o que acontece com as meninas. E tenho um chefe incrível, que me dá flexibilidade para, por exemplo, poder levá-las ao médico, ver a apresentação de música ou sair eventualmente mais cedo.

Não caio muito nessa conversa de que o importante é a qualidade do tempo que você passa com seu filho e não a quantidade. Os dois são igualmente superimportantes. Confesso que sinto saudade e gostaria de passar mais tempo com elas. Mas elas estão crescendo bem. E eu também pude voltar a crescer. Estamos felizes.”

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Laura Esteves, diretora de criação da Y&R

“Eu tive minha filha mais tarde, aos 38 anos. Durante muito tempo vi amigas publicitárias no conflito entre trabalho e maternidade: eternamente frustradas tentando ser uma mãe nota 10 e uma profissional nota 10. Para tentar resolver este dilema eu tenho tentado ficar em paz com a decisão de ser uma mãe e profissional nota 9. Ser nota 9 é libertador. Você entende que alguns dias vai perder a reunião, mas colocar sua filha pra dormir. Em outras vai brilhar em uma apresentação, mas vai jantar comida congelada de microondas. Muitas vezes me sinto frustrada querendo ser a mãe dos comerciais de propaganda que dão conta de tudo. Mas outras entendo que ser nota 9 é o máximo.”

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Renata d’Ávila, VP de planejamento e estratégia da Lew’LaraTBWA

“Amo o que faço e tenho certeza que seria uma mãe muito chata se não trabalhasse. Mesmo com todas as longas horas e correrias, vou dando um jeito de estar sempre presente, ir buscar na escolar pelo menos duas vezes na semana, correr pra jantar com eles mesmo que ligue o computador depois etc. Talvez o mais emblemático de como seria a minha maternidade publicitária aconteceu no nono mês de gravidez do meu primeiro filho. Fiz uma apresentação de concorrência que começou às 19h e foi até 23h (obviamente, depois de um período intenso e de longos dias e fins de semana para montar tudo). Duas semanas depois, a gente ganhou a conta e eu sai de licença maternidade. O João já chegou dando muita sorte para mim.”

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