2A cabeleireira Maria Eugênia Sertório, moradora de Itabuna, sul da Bahia, teve a água da chuva que guardou em casa roubada durante a falta de abastecimento que a cidade enfrenta há dois meses. A estiagem provoca desabastecimento no município e, quando a água chega às torneiras, é salgada.

Maria Eugênia reserva a água para lavar os cabelos das clientes e conseguir trabalhar. “Quando vi a chuva, saí correndo, botei o balde na porta. Cinco minutos depois, voltei e já tinham levado minha água”, diz.

Ela conta que a reserva de água da chuva para uso no salão de beleza mantém a clientela. Para lavar o cabelo de uma cliente, ela usa um balde cheio e, se não tiver mais água da chuva, compra água. “Está dando certo, mas ainda assim, mesmo tendo água, elas trazem a água delas”, afirma.

A falta de água na cidade tem causado mudança da rotina das pessoas em casa para tentar economizar. Na casa do funcionário público Joílson Silva moram seis pessoas e ele gasta, em média, R$ 150 para comprar água. “Para o consumo mesmo, eu estou comprando sete vasilhames por quinzena para poder consumir e cozinhar”, conta.

O desabastecimento também provoca filas nos tanques comunitários e também revolta na população. Na tarde de terça-feira (10), os moradores do condomínio São José, no bairro Ferradas, fecharam a BR-415. Eles reclamam que estão sem água há dez dias no condomínio que foi entregue há apenas dois meses.

“A gente não tem reservatório. O tanque que tem é subterrâneo. Do subterrâneo, joga para uma caixa maior para distribuir para os blocos”, afirma a moradora Adriana Sampaio. A Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar estiveram no local para evitar tumulto, mas o protesto foi pacífico. A pista foi liberada por volta das 15h.

G1