Foto: Juliana Almirante / G1 Bahia

Foto: Juliana Almirante / G1 Bahia

O corpo da menina de 9 anos, que segundo a família está entre as vítimas do incêndio que atingiu uma farmácia na quarta-feira (23), em Camaçari, região metropolitana de Salvador, foi encontrado protegido pelo corpo de uma mulher, que também foi vítima da tragédia que deixou nove mortos. A informação foi passada ao G1 nesta quinta-feira (24) pelo pai da criança, o empilhador Fábio Souza.

De acordo com Souza, a família acompanhou as buscas nos escombros da farmácia e, por volta das 3h, os peritos que trabalhavam no local contaram que o corpo da criança foi achado abraçado ao da mulher. A família não a conhece, mas acredita que ela tenha tentado proteger a menina do acidente e conseguiu evitar que as chamas atingissem o rosto dela.
Segundo o pai da menina, não havia queimaduras no rosto da criança e isso facilitou na identificação do corpo no local do acidente. No início da tarde, a família aguardava o reconhecimento oficial no Instituto Médico Legal (IML), em Salvador.

Ainda conforme Fábio Souza, a mulher dele, que estava com a criança no momento do acidente, está internada em um hospital em Camaçari. Ela quebrou e queimou um dos braços e deve passar por uma cirurgia ainda nesta quinta-feira.

Souza contou que a mulher dele conseguiu sobreviver à tragédia porque, no momento em que o teto caiu, ela estava no caixa da farmácia, que ficava na parte da frente do estabelecimento. Segundo ele, a menina estava mais ao fundo da farmácia e a mulher não teve tempo de salvá-la, e ainda está em estado de choque.

Por conta da tragédia, a prefeitura de Camaçari decretou luto oficial de sete dias na cidade. Por meio de nota, a Câmara de Vereadores lamentou o caso. “O município inteiro está abalado com a situação, que tocou o coração e entristeceu a todos”, disse a instituição por meio de nota.

A rede Pague Menos também se pronunciou por meio de nota e disse que lamenta o incidente ocorrido no estabelecimento e que está prestando apoio e assistência às famílias e vítimas do acidente.

Informou ainda que providenciou a remoção para os hospitais Hospital Geral do Estado e Teresa de Lisieux, ambos em Salvador. Parte da diretoria e psicólogas da companhia estão na cidade para dar suporte às famílias dos clientes e funcionários, além de custear todas as despesas.

Um grupo formado por estudantes de um colégio de Camaçari realizou um ato em solidariedade em frente ao local da tragédia na manhã desta quinta-feira. Emocionados, fizeram orações aos mortos.

Testemunhas denunciam obra
O motivo da explosão que causou o incêndio ainda não foi confirmado pelo Corpo de Bombeiros, ou pela Defesa Civil do município. Em contato com o G1, o Instituto Médico Legal (IML) informou que as vítimas estavam carbonizadas, mas o assessor jurídico da Farmácia Pague Menos, Geraldo Gadelha, negou que uma explosão tenha ocorrido.

Algumas pessoas que testemunharam a tragédia contaram que o local estava em obras e que funcionários deixaram o local falando sobre o vazamento de um botijão de gás. “Eles estavam usando um botijão de gás, aí o gás vazou e teve a explosão. Os funcionários estavam falando isso para quem estava socorrendo eles”, disse João Pedro Gomes de Lima.
Na manhã desta quinta-feira (24), o advogado da farmácia Geraldo Gadelha se pronunciou sobre o caso e negou a informação passada por testemunhas de que o local estivesse em obras. Segundo o assessor, a laje da farmácia caiu devido a infiltrações causadas pela chuva.

“A farmácia não estava em obras. Estava previsto uma parada no sábado. Todos sabem que Camaçari teve dois pequenos dilúvios na semana que passou. Isso gerou uma infiltração para dentro da loja. E nós íamos recuperar totalmente o telhado por óbvios motivos. Não sabemos o que aconteceu porque, veja, é absolutamente impensável que uma laje caia por causa de uma infiltração, mas foi o que aconteceu”, afirma.

Geraldo negou também a existência de um botijão de gás dentro da farmácia, e disse que as pessoas viram um botijão “de recuperação de ar-condicionado”. “Não existe bujão de gás nas lojas Pague Menos. O aquecimento das possíveis refeições é feito através de microondas. Não há bujão de gás. Quem viu viu um bujão de recuperação do ar-condicionado que estava na calçada. Se um bujão daquele explode, ele desintegra a pessoa que está ao lado dele. Então, se o bujão tivesse explodido, nem ele, nem as pessoas estariam ali. Então, nós queremos deixar muito claro, expressar o nosso profundo pesar”.

Regina Celi, mãe de criação de uma de uma mulher, identificada como Luciene, funcionária da Prefeitura de Camaçari, esteve no IML de Salvador em busca de informações sobre a filha, e reforçou a versão de que uma explosão teria acontecido na farmácia. “Quando ela entrou para pegar os medicamentos, foi quando houve a explosão e ela não teve tempo de sair. Nós procuramos em todos os hospitais, em todos os lugares possíveis e não encontramos”, relata Regina Celi.

A Superintendência Regional do Trabalho da Bahia (SRT/BA) emitiu uma nota informando que a equipe de Auditores Fiscais do Trabalho está analisando as causas do acidente. A nota fala ainda que a farmácia pegou fogo, e que a principal suspeita é de que um botijão de gás tenha explodido no local.

Também em nota, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que mais detalhes sobre o caso serão informados em uma entrevista marcada para a tarde desta quinta-feira.

Solidariedade
Um grupo formado por estudantes de um colégio de Camaçari realizou um ato em solidariedade às vítimas da tragédia. Os alunos estão em luto e realizaram orações próximo ao local onde fica a farmácia.

Os estudantes também cantaram algumas canções religiosas como forma de homenagear as vítimas. O grupo teve aula durante a manhã e aproveitou para arrecadar dinheiro, que foi utilizado na compra de flores e materiais para confeccionar cartazes com mensagens de luto, e pedido de orações.

A prefeitura de Camaçari, decretou luto oficial de sete dias devido à tragédia. A informação foi confirmada ao G1 pelo coordenador de comunicação da prefeitura, Lenielson Pita, nesta quinta-feira (24).

Desespero no IML
Oito corpos de vítimas estão no Instituto Médico Legal (IML) de Salvador. Dezenas de parentes e amigos estiveram no local durante toda a manhã desta quinta-feira (24) em busca de informações sobre as pessoas que estão desaparecidas e, segundo as famílias, podem estar entre os mortos da tragédia ocorrida na tarde de quarta-feira (23).
Segundo informações do IML, todos os corpos que chegaram à sede do órgão na noite do acidente estavam carbonizados, o que dificulta a identificação das vítimas. Entre os familiares que foram em busca de informações está Regina Celi, que é mãe de criação de uma mulher, identificada como Luciene, funcionária da Prefeitura de Camaçari.

“A gente tem certeza que ela estava na farmácia porque ela era funcionária da prefeitura, da Controladoria da prefeitura e na hora do almoço ela saiu para comprar uns medicamentos na farmácia com duas colegas. E as duas colegas saíram, estavam na calçada esperando por ela. E quando ela entrou para pegar os medicamentos, foi quando houve a explosão e ela não teve tempo de sair. Nós procuramos em todos os hospitais, em todos os lugares possíveis e não encontramos”, relata Regina Celi.

A mulher também reclamou da falta de informações prestadas às famílias das nove pessoas que morreram na explosão. Regina Celi contou ao G1 que uma irmã de Luciene saiu de Aracaju, onde mora, para Salvador a fim de colher material genético para um possível reconhecimento através de exame. “Estamos aqui no desespero”, desabafou.

Uma outra pessoa que esteve no IML na manhã desta quinta-feira é amiga há mais de 20 anos de uma funcionária da farmácia Pague Menos, que está desaparecida. Pedindo para não ser identificada, a mulher contou que a amiga já havia relatado estar incomodada com a obra que era realizada dentro da farmácia, mesmo com o estabelecimento funcionando normalmente. Ela contou que a funcionária tinha pensado em fazer uma denúncia, por medo que ocorresse algum acidente.

Segundo informações de funcionários do IML, o reconhecimento das vítimas deve ser feito por meio da arcada dentária e de DNA.

A fisioterapeuta Jamile Pinho contou que a sogra dela, a dona de casa Idália Simão dos Reis, também está entre as vítimas desaparecidas. Segundo Jamile, o marido deixou a mãe no estabelecimento, foi estacionar o carro e quando voltou, o incêndio já havia começado. Ela explicou que no momento em que o marido tentou entrar para salvar a vítima o teto desabou.

De acordo com a fisioterapeuta, a família está desesperada e busca informações para saber onde a sogra dela está. Ela foi ao Instituto Médico Legal, mas não conseguiu identificar nenhum dos corpos mostrados a ela como sendo o da sogra. “Mostraram fotos de cinco corpos, mas nenhum é o dela”, contou.

Das 14 pessoas feridas, 7 ainda estão internadas, algumas em estado grave. Duas delas foram socorridas e levadas para Salvador no helicóptero do Graer, Grupamento de Resgate Aéreo da Polícia. O helicóptero teve de ir a Camaçari duas vezes para socorrer as pessoas e levar para o Hospital Geral do Estado, onde funciona o Centro Estadual de Tratamento de Queimados.

Comoção
O clima é de tristeza no centro da cidade de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, na manhã desta quinta-feira (24). A Rua Getúlio Vargas, onde fica a farmácia atingida pelas chamas, foi interditada.
As lojas situadas na rua estão fechadas, mas o comércio do entorno continua aberto. Os moradores, no entanto, estão em luto e surpresos com o que aconteceu. Quem estava perto da farmácia no momento disse que ouviu um barulho forte de desabamento e correria.

“Ouvi o barulho e em seguida vi o fogo. Foi um pânico, uma correria. Eu ajudei a gerente que estava passando mal e trouxe ela para o hotel e estou ajudando até agora”, disse o funcionário Jackson Santos, do hotel que fica em frente à farmácia. Ele trabalha no local há 15 anos e diz que há 10 existe a farmácia no local.

Uma mulher que trabalha em outra farmácia na cidade, chegou a trabalhar com um das vítimas da explosão. Mariusa de Jesus contou que ficou abalada ao saber da tragédia.
“Eram pessoas maravilhosas, atendimento muito bom. Eram pessoas que a gente conhece. Uma chegou a trabalhar na farmácia comigo, ela tá em Salvador, tá internada ainda. Ela tem duas filhas. Lamentável uma tragédia dessa. Acho que em Camaçari nunca ocorreu uma tragédia tão grande. Tiro isso porque eu também trabalho em uma farmácia, e para mim a farmácia e meus amigos são minha segunda família”, disse.

Entre alguns curiosos que passam pelo local, ainda existem pessoas à procura de conhecidos. Cleide Souza, amiga de uma funcionária, que segundo ela está desparecida, lamentou a tragédia que atingiu a cidade, e se mostrou sem esperança de encontrar a amiga ainda com vida.

“Segundo comentários, ela estava no mezanino no momento do incêndio e não tenho mais esperança. A família ainda não localizou em nenhum hospital. Sem dúvida a gente tem muito a chorar não só pela vida dela, mas pelas demais que estão aí. São mães e crianças que morreram nesse incêndio”, disse.

Um dia depois da tragédia, o cenário ainda é de destruição no local. O Corpo de Bombeiros passou a manhã desta quinta realizando a retirada dos escombros, que passaram a se acumular na rua em que fica a farmácia.

Em meio ao clima de tristeza da população, a prefeitura de Camaçari decretou luto oficial de sete dias no município. A informação foi confirmada ao G1 pelo coordenador de comunicação da prefeitura, Lenielson Pita, nesta quinta-feira (24).

Até por volta das 9h30 desta quinta-feira, oito das nove vítimas já haviam sido encaminhadas para o Instituo Médico Legal (IML), em Salvador. Segundo informações do IML, os corpos vão passar por avaliação de um médico legista, mas o processo de identificação não tem prazo para acontecer porque as vítimas estão carbonizadas.

O corpo da 9ª vítima segue no local da tragédia, em Camaçari, aguardando remoção para Salvador. O Corpo de Bombeiros também segue com retirada dos escombros, e busca por novos corpos. As causas da explosão ainda não haviam sido confirmadas pelos Bombeiros.
Desespero

Um vídeo amador flagrou o momento em que funcionários e clientes deixavam a farmácia.

As imagens mostram o desespero das pessoas, que corriam para fora do estabelecimento, em meio às chamas do local.

Pessoas que estavam na rua tentavam ajudar quem saía do local. Uma das funcionária que conseguiu correr, chegou a informar que ainda tinham outras pessoas dentro da farmácia. Até a manhã desta quinta-feira (24), a tragédia já tinha deixado nove mortos e 14 feridos.

Caso
O incêndio atingiu o local por volta das 13h50. Segundo testemunhas que trabalham na região próxima à farmácia, o fogo teria sido causado pela explosão de um botijão de gás que estava no interior do estabelecimento.

Após a explosão, o teto do imóvel teria caído e atingido clientes e funcionários da farmácia. Os bombeiros informaram, no entanto, que uma perícia será realizada no local e deverá indicar as causas do acidente.

O clima é de tristeza no centro da cidade de Camaçari. As lojas situadas na rua estão fechadas, mas o comércio do entorno continua aberto. Os moradores, no entanto, estão em luto e surpresos com o que aconteceu. Quem estava perto da farmácia no momento disse que ouviu um barulho forte de desabamento e correria.
G1