IdosaSete meses após ter a casa demolida por um empresário, no município de Vitória da Conquista, na região sudoeste da Bahia, a idosa Valdete Almeida, de 84 anos, ainda não tem previsão de quando terá o imóvel reconstruído.

Sem casa própria e deprimida, ela está abrigada na casa de um sobrinho, desde o dia da demolição, que ocorreu em 30 de agosto de 2016. O filho da idosa, que morava com ela, passou a viver em um imóvel alugado pela família, porque tem problemas mentais e não conseguiu se adaptar com a vida na casa do primo.

De acordo com informações da advogada da família, Cristiane Gobira, uma determinação da Justiça, expedida em dezembro, quatro meses após a demolição, previa que o empresário Allan Kardec, autor do crime, pagasse R$ 112 mil para a reconstrução da casa da idosa, além de R$ 1 mil para cada mês que ela ficou sem o imóvel, mas o homem não aceitou a decisão e recorreu. O caso está em tramitação.

“A determinação saiu no dia 16 de dezembro, mas houve o recesso de final de ano. Ele tinha um prazo para recorrer da decisão da Justiça e assim fez. Ele recorreu no início de fevereiro e até agora não houve resultado. O sistema é lento. Dona Valdete continua sem sua casa”, contou.

Segundo a advogada, durante esse período, também foi realizada uma audiência de conciliação entre a idosa e o empresário, mas não houve acordo entre as partes. Um novo encontro deve ser marcado para resolver a situação, mas a família teme que nada seja decidido.

“Ele se nega a pagar o valor pedido pela família e pela Justiça. Só quer dar R$ 100 mil para tudo. Esse dinheiro não dá para comprar móveis, para construir a casa. Não paga os danos causados à dona Valdete”, explicou.

O G1 tentou falar com Allan Kardec, mas, até o fechamento desta reportagem, não conseguiu contato. Desde o início do caso, o empresário tem evitado se pronunciar para a imprensa. Ele confessou o crime, mas não chegou a ser preso.

Caso
O crime ocorreu em 30 de agosto de 2016. O empresário Allan Kardec, que foi indiciado por dano qualificado pelo crime, disse ter mandado derrubar a casa depois de Deusdete Almeida, filho da idosa, ter quebrado a vitrine do imóvel dele.

A demolição ocorreu no momento em Valdete estava fora fazendo um tratamento de saúde, e Deusdete estava na delegacia prestando esclarecimentos sobre a acusação do empresário.

Quando Deusdete voltou para casa, cerca de uma hora e meia depois, encontrou o imóvel destruído e os pertences da família no meio dos escombros. Ao G1, a idosa falou sobre a angústia na época do crime. “Não está nada bem, foi um mês muito difícil. Ele não demoliu só minha casa, demoliu minha história de vida. Estava lá há mais de 40 anos”, desabafou à reportagem na época do caso.

A idosa está abrigada na casa de um sobrinho desde o dia que a casa foi demolida. Entre as dificuldades enfrentadas longe de casa, dona Valdete destaca a situação do filho, que sofre de problemas mentais e não se adaptou à nova moradia.

Com a demolição, apenas algumas paredes da casa ficaram de pé. Em meio aos escombros, ficaram os móveis e os objetos da família. O terreno onde ficava o imóvel, localizado na BA-262, tem três hectares e foi uma herança deixada pelo marido da idosa.

G1