{

O tema “Terreiro Tumbenci: Um Patrimônio Afrobrasileiro em Museu Digital” será defendido neste Sábado, 15 de Setembro, às 14 horas, pelo Programa de Doutorado Multi-institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento – DMMDC, uma parceria da UNEB / UEFS / UFBA / IFBA / LNCC/MCT e SENAI CIMATEC.

A doutoranda Hildete Costa desenvolveu sua pesquisa no Terreiro Tumbenci – liderado pela Mameto Lembamuxi, de origem Congo-Angola, situado no bairro do Beiru, em Salvador, Bahia, Brasil, como um meio de valorização e disseminação de informações ancestrais, através da criação de um museu digital, com o fim de instituir a patrimonialização e gerar fundamentos teóricos para a criação de políticas públicas do patrimônio afrobrasileiro.

A inexistência de organização e de tratamento do acervo do terreiro mobilizou quatro anos de pesquisa da doutoranda, cujo resultado foi a catalogação da história, dos rituais, dos Inquices e as divindades da Casa, em uma tese bem cuidada e cheia de reverências à comunidade estudada; e pretende se constituir em um espaço de conhecimentos de diferentes saberes e fazeres ligados à religiosidade dos povos Bantos.

O estudo foi baseado em questões importantes acerca da perda da memória das tradições, história e patrimônio da comunidade afroreligiosa do Terreiro Tumbenci; bem como sobre meios para oferecer fundamentos para o possível estabelecimento de políticas públicas de valorização de bens materiais e imateriais do Terreiro. Estes temas vêm sendo estudados em contextos do grupo de pesquisa Sociedade Solidária, Educação, Espaço e Turismo – SSEETU e do Núcleo de Estudos Africanos e Afrobrasileiros em Línguas e Culturas – NGEALC.

Em resposta a essas questões, como produto do doutorado, foi construído um museu dialógico e interativo, detalhando-se os referenciais históricos, documentais e simbólicos que justificaram a importância de identificar esse Terreiro como patrimônio cultural da Bahia, a partir de uma metodologia participante e etnográfica, com elementos da pesquisa sócio- histórica. Um museu digital que disseminará acervos textuais, iconográficos e audiovisuais, compartilhando conhecimentos com pesquisadores, estudantes e comunidade.

Para Hildete Costa, “a relevância social desse trabalho consiste em dar visibilidade ao Terreiro Tumbenci, como espaço de resistência da religião e da cultura de matriz africana herdada de Angola, possivelmente da região de Cabinda. Os conhecimentos adquiridos poderão subsidiar intervenções e políticas públicas de preservação, criando mecanismos que estimulem o papel do turismo associado à valorização do seu patrimônio cultural, no caso o turismo de base comunitária no antigo quilombo Cabula. Tudo isso como estratégia de desenvolvimento local, divulgação e salvaguarda de seus acervos e valores ancestrais”.