Clóvis Rossi
O que mais chama a atenção na premiação da Fifa a Lionel Messi, como melhor jogador do mundo, não é o prêmio em si, por demasiado previsível. É o fato de que, entre os cinco candidatos a ele, três foram “fabricados” em La Masia, a escola de preparação de jogadores do inefável Barcelona: o próprio Messi e os organizadores de jogo Xavi Hernández e Andrés Iniesta.
Mais: dos 11 jogadores que terminaram a partida que deu ao Barça o título de campeão mundial de clubes, seu sexto torneio consecutivo na temporada, oito são “made in” La Masia, fora o técnico Josep Guardiola.
Deve ser recorde mundial. Perguntei em uma mesa com amigos, na sexta-feira, todos apaixonados por futebol, se alguém conhecia exemplo de clube brasileiro que tenha ganho um título significativo com oito jogadores de sua “escolinha”.
Leia mais…
Opinião
Barcelona, Fifa, Lionel Messi
O governo do estado sabia de irregularidades envolvendo pelo menos um contrato firmado sem licitação entre a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e a empresa Constant, de propriedade do prefeito de Nova Fátima, Manoel Santos de Oliveira (PT).
A informação consta no relatório sobre as contas do Executivo referentes a 2008. Elaborado pelo conselheiro Pedro Lino, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o relatório aponta que a Constant foi contratada pela Sesab, em março de 2008, para fornecer produtos de limpeza e lavanderia ao Hospital Geral de Camaçari, com dispensa de licitação.
Segundo Lino, a alegação do órgão para a compra dos produtos por cerca de R$140 mil, sem concorrência, deveu-se a necessidades emergenciais. Contudo, informa o relatório, a Constant descumpriu o prazo de entrega dos produtos, fixado em cinco dias.
Leia mais…
Opinião
irregularidades, Sesab, TCE
João Batista Araujo e Oliveira
A mídia noticiou, recentemente, que o presidente Lula cobrou de seu ministro da Educação ações e resultados mais eficazes no combate ao analfabetismo entre adultos. Infelizmente, esse não é um assunto que se resolve por decreto.
E, não por acaso, inexistem avaliações e resultados desse tipo de programa nas últimas décadas. Trata-se de uma guerra perdida. Será possível vencer pequenas batalhas apenas em determinadas situações em que há chance de sucesso. O realismo do ministro é mais pertinente que o sonho do presidente. Mas há um porém.
Não é esse o analfabetismo mais preocupante. O que compromete o nosso futuro como Nação são os milhões de brasileiros matriculados no ensino fundamental, especialmente nas séries iniciais, que são incapazes de escrever uma frase ditada pelo professor ou de ler um texto e explicar o seu conteúdo.
Leia mais…
Opinião
analfabetismo, ministro, presidente
Gaudêncio Torquato
Tancredo Neves era ás na arte de dizer um sim puxando as letras do não. Depois de entrevista a um repórter, pediu para ler o texto. Lá estava: “Não pretendo ser governador de Minas.” Pediu licença, pegou a caneta e emendou: “Não pretendo ser candidato a governador de Minas.”
Aécio Neves herdou a matreirice do avô. Anuncia, em nota, sua desistência do páreo presidencial de 2010. Antes que a leitura sugira fechamento de portas, é mais que oportuno o esclarecimento. Aécio, como a raposa Tancredo, quer dizer: “Quero ser presidente da República, mas reconheço que José Serra tem preferência. Cedo a vez para ele.”
O gesto do governador mineiro, bem pensado, terá implicações na frente política com vista à disputa do próximo ano. Ao deixar José Serra entre a cruz e a caldeirinha – o governador paulista é tolhido na alternativa de recuo -, Aécio contribui para acelerar o processo eleitoral, ajustar o foco do discurso dos contendores, definir as alianças eleitorais e clarear os horizontes, que até o momento se mostram nebulosos.
Leia mais…
Opinião
Aécio Neves, eleições 2010, Tancredo Neves
Mario Cesar Flores
A declaração atribuída à ex-ministra Marina Silva de que “a sociedade precisa exigir urgência” (Estado, 29/11), referida à questão ambiental, sugere uma dúvida: a urgência a ser exigida teria motivação homogênea?
Vivemos num mundo em parte desenvolvido, rico e consumista e, em grande parte, em desenvolvimento ou subdesenvolvido e pobre. Essa grande parte aspira à ascensão ao consumismo, identificado como símbolo de cidadania pela propaganda que o sustenta.
Ascensão praticamente inviável sem danos ao meio ambiente: as demandas de 7 bilhões de habitantes – e crescendo a 10 bilhões em alguns decênios mais -, dramaticamente críticas as de alimentação e energia, comprometem necessariamente a natureza. Muito ou pouco, em consonância com o maior ou menor cuidado humano, mas comprometem. Medidas disciplinadoras e inovações tecnológicas podem moderar o ritmo do comprometimento, mas não o eliminam.
Leia mais…
Opinião
desclarações, Marina Silva, meio ambinhente
Eugênio Bucci
Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inadequado e arquivou o pedido deste jornal para que fosse extinta a censura prévia que sobre ele se vem abatendo há vários meses.
Os fundamentos da decisão apontam para razões formais, processuais, mas seu efeito de mérito é inequívoco: O Estado de S. Paulo segue impedido de publicar notícias sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investiga atividades do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney.
Estamos diante de uma ironia trágica. O jornal foi castigado não por ter agido com irresponsabilidade, mas por ter cumprido o seu dever. O excelente trabalho dos repórteres Rosa Costa, Leandro Colon e Rodrigo Rangel, que, no primeiro semestre, revelou os atos secretos do Senado, entre outras irregularidades, recebeu, no início de dezembro, o Prêmio Esso de 2009, mas antes, no dia 31 de julho, mereceu outro tipo de reconhecimento, este macabro: a censura prévia por via judicial. Na prática, a despeito de justificativas processuais, foi essa violência que o Supremo corroborou.
Leia mais…
Opinião
censura, Estadao, STF
Xico Graziano
Toda a atenção em Copenhague. Líderes mundiais, políticos e ambientalistas, cientistas e jornalistas discutem um acordo global sobre o clima. Entre o pessimismo e o otimismo, uma certeza: o aquecimento do planeta acende luz amarela para o futuro. Hora de ação.
A crise ecológica vem de longe denunciando, agora definitivamente, a falência do modo de produção erigido nos últimos séculos. Tanto faz a cor ideológica. Capitalismo e socialismo nunca ligaram para a ecologia. Por isso o ambientalismo sempre mostrou dificuldades para ser politicamente rotulado.
Ainda na época da guerra fria parecia bucólico discutir a depredação da natureza. Concorrendo entre si pela supremacia mundial, a ex-URSS e os EUA mostravam a mesma visão deturpada sobre o crescimento econômico. A poluição era vista, por ambos os lados, como o “preço do progresso”.
Leia mais…
Opinião
direita, esquerda, meio ambiente
Pedro Estevam Serrano
O jornal “O Estado de S. Paulo” acaba de ganhar o Prêmio Esso de reportagem pelo trabalho de seus profissionais na série de matérias sobre os Atos Secretos do Senado.
Por outro lado, no momento em que escrevo este artigo, nossa Corte Suprema encontra-se no momento de decidir pela suspensão ou não da ordem judicial de censura ao jornal por conta da publicação desta mesma linhagem de matérias que lhe valeram o prêmio mais incensado de nosso jornalismo.
Esperamos que nossa Corte não apenas suspenda a teratológica decisão, como mande uma mensagem clara de descabimento de censura prévia mesmo que realizada pela jurisdição, salvo, obviamente, hipóteses fronteiriças e excepcionais como ofensa a direito de menor, situação de guerra etc.
Leia mais…
Opinião
censuta, Estadao, Prêmio Esso
Janio Lopo
Vou lançar um slogan e adianto aos que tenham bom senso que podem aproveitá-lo. Seguinte: “Ou o Democratas acaba com José Roberto Arruda ou Arruda acaba com o Democratas”. Sei, naturalmente, da falta de graça da desgraça da minha sugestão. No entanto, há uma face inquestionável nela: Arruda é o próprio demo a azucrinar a vida do DEM.
Ele está contaminado, como a maioria da classe política brasileira, pelo vírus da corrupção. É o único que não mata, mas engorda. E como engorda. Arruda é aparentemente franzino, porém há uma explicação lógica para seu atual porte não necessariamente atlético: ele, o governador do Distrito Federal, perdeu toneladas de peso à medida que distribuiu dinheiro público para uma corja de criminosos imunda que nem ele interessada em manter o físico inchado com milhares de notas de cinquenta e cem reais em todas as partes da roupa, inclusive nas partes íntimas – cuecas, calcinhas, sutiãs, absorventes, cueiros e o cacete.
Leia mais…
Opinião
Arruda, DEM, panetone
Josué Maranhão
Afinal, qual é a posição definitiva do governo brasileiro a respeito da atual situação de fato em Honduras? Há uma sequência de declarações inteiramente conflitantes.
A confusão decorre, principalmente, da omissão do Ministério do Exterior brasileiro. A posição de subserviência do Itamaraty, quanto à condução da política externa brasileira, perdura desde o início do primeiro mandato do presidente Lula. Este é um dos fatores que determinam o desencontro de informações e de posicionamentos.
Submete-se o Ministério do Exterior à orientação de um assessor do presidente da República, conhecido pelo viés esquerdizante, com sectarismo. Afora isso, o seu comportamento vulgar, em momentos sérios, o tornou conhecido como o “assessor obsceno”. Assim eu o identifico aqui, para não manchar esta coluna.
Leia mais…
Opinião
Honduras, Manuel Zelaya
Fernando Henrique Cardoso
Um dos temas mais difíceis do mundo contemporâneo é o que fazer com o uso de drogas. Existem algumas comprovações bem estabelecidas sobre a questão. Se é verdade que sempre houve consumo de diferentes tipos de drogas em culturas muito diversas – embora não em todas -, não menos verdade é que ele no geral se deu em âmbito restrito e socialmente regulamentado, principalmente em cerimônias rituais.
Não é esse o caso contemporâneo: o uso de drogas se disseminou em vários níveis da sociedade, com motivações hedonísticas; no mais das vezes, sem aprovação social, embora, dependendo da droga, haja certa leniência quanto aos usuários.
Sabe-se também que todas as drogas são nocivas à saúde, mesmo as lícitas, como o álcool e o tabaco. E que algumas são mais nocivas do que outras, como a heroína e o crack. A discussão sobre se o consumo de drogas mais fracas induz ao de outras mais fortes é questão médica sobre a qual não há consenso.
Leia mais…
Opinião
Brasil, drogas, liberação das drogas
Eugênio Bucci
Começo por uma laranja estragada que uma vez segurei com a minha mão direita. Mais que madura, ela estava passada. Uma espécie de gosma ressecada, num verde escuro abjeto, espalhava-se pela casca amarela, delimitando continentes irregulares.
Isso já faz muito tempo, lá se vão três décadas ou mais, mas não esqueço. Fiquei dividido entre a curiosidade adolescente e a repugnância instintiva – e também ideológica: a imagem viva daquela praga na casca do fruto tinha conspurcado uma reserva imaginária que eu trazia da infância.
Uma laranja, aos meus olhos, não era uma mercadoria de supermercado, mas uma dádiva sem valor de troca, que a gente colhia com as mãos. No quintal da casa em que cresci, havia um pé de ilhoa, que nos deu safras incontáveis, doces sem ser açucaradas. Talvez por isso, quero dizer, talvez em função desse vínculo afetivo, a laranja estragada entrou no meu código visual como um agouro maligno.
Leia mais…
Opinião
autoestima, clima, Política
Aparecida Tokumi Hashimoto
Atualmente, o protetor solar não é elencado como equipamento de proteção individual na Norma Regulamentadora 06, da Portaria 3.214/78. E isso ocorre porque a exposição a raios solares não dá direito ao trabalhador de receber adicional de insalubridade, por ausência de previsão legal.
Há um Projeto de Lei, de número 5061/2009, de autoria do deputado Antônio Roberto (PV/MG), apresentado em 15 de abril de 2009, que propõe acrescentar um parágrafo ao artigo 166 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) para obrigar o fornecimento de protetor solar aos empregados cujas atividades são desempenhadas a céu aberto. Contudo, no dia 9 de novembro deste ano, referido projeto de lei recebeu parecer do relator, deputado Andre Zacharow, pela rejeição deste.
Infelizmente, até o momento não há lei impondo a inclusão do protetor solar entre os itens de segurança em atividades que impliquem exposição aos raios solares.
Leia mais…
Opinião
insalubridade, protetor solar, trabalhador
Josué Maranhão
A denúncia beira os limites da escatologia. Até poderia ser encarada como inverossímil pelos mais céticos. Enfim, é uma bomba. E, como tal, produz efeitos danosos.
Não é dessa forma, no entanto, que o governo, o Palácio do Planalto mais especificamente, está encarando e vem tratando a denúncia pública feita pelo Sr. César Benjamin, em artigo publicado no jornal “Folha de São Paulo”, envolvendo diretamente o presidente Lula.
É até admissível que o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva tenha se sentido chocado e, como tal, tenha decidido não atribuir quaisquer resquícios de veracidade à denúncia. Conhecendo, como bem conhece o denunciante, íntimos que foram na amizade que perdurou durante anos, até se admite que a conclusão pessoal tenha sido no sentido de que tudo não tenha passado de uma estrambótica vingança. Ou, até, como disseram alguns dos íntimos do presidente, é viável atribuir à denúncia o rótulo de uma manifestação de um psicopata.
Leia mais…
Opinião
Brasil, César Benjamin, Lula
Cláudio Lembo
A preocupação das ordens religiosas, quando chegaram a esta América, centrava-se em dois temas. Divulgar a fé cristã e, para que ela ingressasse no coração dos catequizados, afastar os pecados usuais nestas bandas. Os pecados eram diversos dos praticados por toda a Europa. A usura, desconhecida. A gula – salvo pela tenra carne humana – pouco usual. Nada se cobiçava. Tudo era de todos. O trabalho metódico ausente.
Restava um pecado – segundo a visão européia – comum a todos os humanos. O pecado da carne. Os índios copulavam com alegria dos puros, sem culpas. Inocentemente.
Tudo espontâneo, sem qualquer traço de pundonor ou malícia. O corpo, dádiva espontânea da natureza, merecia contato com outro corpo ou outros corpos, como forma de agradecimento à existência.
As ordens religiosas assim não entenderam. Em todas as atitudes e atos dos índios encontravam as mais tenebrosas faltas. Eles eram impedidos de tudo. Vida em comum, só de acordo com a ortodoxia religiosa.
Leia mais…
Opinião
América Latina, presidentes
Gaudêncio Torquato
Às vésperas de abrir o palco para um dos maiores espetáculos de sua História, o País vivencia um típico jogo de soma zero. Essa modalidade, como se sabe, tem como característica a disputa agressiva pelo controle das jogadas. O avanço de um jogador ocorre ante o recuo do outro. A vitória de um partido se dá por conta da derrota da sigla adversária.
Ou, para trazermos a imagem para estes dias acidentados, a queda da viga de um viaduto do Rodoanel sobre três carros, na Rodovia Régis Bittencourt, zera o jogo que os tucanos ganhavam dos petistas em razão do gol contra do apagão de Itaipu, que deixou no escuro 18 Estados, na semana retrasada.
Os dois casos mostram a disputa contundente pelo poder que se trava no País, desprezando o fato de que efeitos dos desastres, se danos eventuais provocam à imagem de atores políticos em medição de forças, sequelas graves causam à própria comunidade nacional, por saírem de seu bolso, em última instância, os recursos para financiar os serviços do Estado.
Leia mais…
Opinião
Brasil, pós-Lula, tucanos
Sérgio Malbergier
Meu bisavô, inquieto com o antissemitismo e a pobreza, deixou sua pequena cidade do sul da Polônia rumo à América no início do século passado. Como muitos outros patrícios, arrumou um emprego em Nova York, numa fábrica de roupas.
Judeu religioso, porém, não aceitou trabalhar aos sábados, dia de descanso do judaísmo, e voltou para a Polônia. “Voltou pra Hitler matar”, repetia sempre minha avó Pessel (Paulina), no jardim da casa de Niterói, onde contava e recontava essa história dezenas de vezes numa tristeza sem fim.
Meu bisavô é o barbudo da foto nesta página, minha avó, a menor das duas meninas de pé. Tirando as duas, a irmã no colo e o filho, que tiveram a sorte de fugir da Europa antes da barbárie nazista, os outros retratados foram mortos nos campos de extermínio alemães durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).
Leia mais…
Opinião
Brasil, Lula, Mahmoud Ahmadinejad
Clóvis Rossi
Juro que fiz um tremendo esforço para achar algum argumento que possa justificar a não-extradição de Cesare Battisti para a Itália.
Se você conseguiu escapar ao bafafá criado em torno desse assunto secundário, uma pequena ajuda-memória sobre o caso: Cesare Battisti, prestes a completar 55 anos, é um escritor e ex-terrorista de extrema esquerda italiano. Integrou os PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), grupo de guerrilha urbana que esteve ativo na Itália no fim dos anos 1970.
Em 1987, Battisti foi condenado pela justiça italiana à prisão perpétua, com privação de luz solar, pela autoria direta ou indireta dos quatro homicídios atribuídos aos PAC – além de assaltos e outros delitos menores, igualmente atribuídos ao grupo. O Estado italiano considera Cesare Battisti um ex-terrorista. Ele, como é óbvio, se diz inocente.
Vamos, então, aos fatos e ao contexto dos fatos:
Leia mais…
Opinião
Cesare Battisti, Itália, STF
Comentários