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Embaixador dos EUA quer que Brasil reconheça governo de Honduras
O novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, disse nesta quinta-feira “ter esperanças” de que os países das Américas, entre eles o Brasil, reconheçam o governo de Porfírio “Pepe” Lobo, eleito presidente de Honduras em novembro.
“Estamos conversando com o Brasil e outros países da região que ainda não tomaram uma decisão”, disse Shannon, que assumiu nesta quinta-feira o cargo, em Brasília.
O diplomata, que já havia trabalho no Brasil na gestão de Bill Clinton, disse ainda que os países da região “devem encontrar” uma maneira de reintegrar Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA).
Vizinhos de embaixada em Honduras querem indenização do Brasil
A normalidade começa a voltar ao poucos à vizinhança da embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde o ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, ficou abrigado por mais de quatro meses antes de deixar o país, na última quarta-feira.
Após a saída de Zelaya, as barreiras usadas pelos militares para impedir o acesso aos quarteirões próximos à embaixada foram retiradas e os holofotes utilizados pelas forças hondurenhas para jogar luz sobre o prédio foram desinstalados.
Com o acesso às ruas liberado, os vizinhos começam agora a contabilizar os prejuízos causados pelos quatro meses de cerco, e alguns, inclusive, esperam ganhar algum tipo de indenização por parte do Brasil ou do governo hondurenho. Muitos dos pontos comerciais, escritórios e consultórios médicos nas imediações viram seu movimento cair de maneira drástica depois que Zelaya se abrigou no prédio da representação diplomática, e alguns tiveram que fechar suas portas.
Zelaya deixa a Embaixada do Brasil
O presidente deposto Manuel Zelaya deixou a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa e está se dirigindo ao aeroporto, onde irá embarcar para a República Dominicana, informa a rede de TV CNN en español.
Zelaya estava na embaixada desde 21 de setembro, quando voltou escondido ao país. Ele havia sido colocado por militares em um avião e expulso para a Costa Rica durante o golpe de 28 de junho.
Ele deixa a embaixada após a posse do presidente eleito Porfírio Lobo Sosa, que, ao assumir a Presidência de Honduras nesta quarta-feira (26), sancionou a lei que anistia crimes políticos cometidos em Honduras após o golpe de Estado.
Opinião: Zelaya é o cara
Josué Maranhão
Afinal, qual é a posição definitiva do governo brasileiro a respeito da atual situação de fato em Honduras? Há uma sequência de declarações inteiramente conflitantes.
A confusão decorre, principalmente, da omissão do Ministério do Exterior brasileiro. A posição de subserviência do Itamaraty, quanto à condução da política externa brasileira, perdura desde o início do primeiro mandato do presidente Lula. Este é um dos fatores que determinam o desencontro de informações e de posicionamentos.
Submete-se o Ministério do Exterior à orientação de um assessor do presidente da República, conhecido pelo viés esquerdizante, com sectarismo. Afora isso, o seu comportamento vulgar, em momentos sérios, o tornou conhecido como o “assessor obsceno”. Assim eu o identifico aqui, para não manchar esta coluna.
Eleições em Honduras provocam racha entre países da América Latina
As eleições presidenciais em Honduras estão provocando um racha nos países da América Latina. De um lado, estão países que, como os Estados Unidos, dizem que, “se tudo correr bem” apoiarão o pleito de domingo, alegando que rejeitá-lo só pioraria a crise iniciada com o golpe de Estado que tirou Manuel Zelaya do poder.
Neste grupo, estão ainda Peru, Colômbia, Panamá e Costa Rica. Na sexta-feira, o presidente costa-riquenho, Óscar Arias –mediador das negociações entre o governo de facto de Roberto Micheletti e o presidente deposto–, pediu à comunidade internacional que reconhecesse as eleições em Honduras para que o país centro-americano recupere a normalidade depois da crise política.
“Creio que no final deve reinar a sensatez, e a sensatez diz que deveríamos, se tudo correr bem, normalmente, e os observadores não virem nada mal no domingo 29 de novembro, penso que a grande maioria dos países deve reconhecer a eleição”, disse Arias.
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Governo hondurenho de fato denuncia Brasil na Corte de Haia
O governo de fato de Roberto Micheletti denunciou nesta quarta-feira (28) o Brasil na CIJ (Corte Internacional de Justiça) de Haia por fazer de sua embaixada em Honduras refúgio para o deposto Manuel Zelaya, informou a chancelaria em comunicado.
- O embaixador de Honduras, Don Julio Rendon Barnica, atuando como agente da República de Honduras ante a Corte Internacional de Justiça, entrou com um pedido introdutório contra o Brasil por questões jurídicas relativas a situações diplomáticas e ao princípio de não intervenção nos assuntos que são da competência interna do Estado hondurenho.
Esse passo é considerado como uma “solicitação para iniciar ações” contra o Brasil, como a imposição de medidas cautelares ou a cobrança de uma indenização.
Sem acordo, Zelaya dá por encerrado diálogo com Micheletti
A equipe do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, anunciou, após a meia-noite (4h de Brasília), o fim do diálogo com os negociadores do governo de fato de Roberto Micheletti, após a recusa deste de restituir Zelaya ao poder, dando por encerrado 16 dias de árduas negociações.
“Damos por esgotado o diálogo, não podemos seguir dando prazos”, afirmou Mayra Mejía, integrante da equipe de negociação de Zelaya.
Zelaya havia anunciado um ultimato que expirava à meia-noite de quinta-feira (4h de Brasília, sexta-feira) com a ameaça ao governo de fato de encerrar o diálogo se Micheletti não aceitasse seu retorno ao poder, do qual foi afastado pelo golpe de Estado de 28 de junho.
Zelaya fala pela primeira vez sobre a possibilidade de não voltar ao poder
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, falou pela primeira vez, nesta terça-feira, sobre a possibilidade de não retornar ao poder, defendendo que, nesse caso, os golpistas sejam entregues aos tribunais de justiça internacional. “Essa será a condição estabelecida depois das eleições, se não me restituírem antes”, afirmou.
“Se chegarmos às eleições de novembro sem um acordo, crise vai se aprofundar”, destacou Zelaya, em entrevista a uma emissora local. “Será um governo fraco, espúrio e a comunidade internacional vai manter o isolamento, a menos que decidam entregar os golpistas, tanto militares quanto civis, aos tribunais de justiça internacional”.
As discussões entre representantes de Zelaya e Micheletti foram retomadas nesta terça-feira em um hotel de Tegucigalpa. O principal ponto discutido é a restituição do líder deposto, principal ponto de impasse. Mais cedo, Zelaya anunciou a substituição de um de seus três negociadores no diálogo com o governo de fato. Sai Juan Barahona, de 55 anos, e entra em seu lugar o advogado Rodil Rivera.
Micheletti suspende estado de sítio em Honduras
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, anunciou nesta segunda-feira o fim do estado de sítio no país. A medida foi imposta no dia 26 de setembro, cinco dias após a volta do presidente deposto, Manuel Zelaya, a Honduras. Na época o país vivia uma onda crescente de protestos organizados pela oposição.
A medida do dia 26 justificou o fechamento de emissoras de rádio e TV oposicionistas e a prisão de dezenas de pessoas. Os protestos contra o governo prosseguiram em menor intensidade. Mas a decisão do governo foi criticada até por seus simpatizantes, que diziam acreditar que o estado de sítio prejudicava os planos de realização de eleições em novembro.
Negociações
Em entrevista a uma emissora de televisão hondurenha, Micheletti havia afirmado anteriormente que havia “paz no país” e que Honduras queria voltar à normalidade.
Opinião: Aspectos constitucionais da crise em Honduras
Pedro Estevam Serrano
O golpe em Honduras, que destituiu do exercício de seu mandato pelas armas um presidente eleito pelo voto, tem sido duramente criticado e repudiado pela comunidade internacional.
Os golpistas usaram como justificativa para sua conduta o apoio da Corte maior daquele país e do Legislativo à deposição do presidente, fundando-se em dispositivo de sua Constituição, qual seja seu artigo 374, que torna irrito qualquer plebiscito ou referendo que possibilite a renovação do mandato presidencial.
A partir desta justificativa, alguns articulistas têm adotado como verdade uma suposta juridicidade do golpe, que assumiria, assim, não o caráter incivilizado que todo golpe anti-democrático traz em suas entranhas, mas um suposto caráter universal de defesa da Constituição.
Zelaya promete se apresentar à Justiça caso seja restituído
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, garantiu estar disposto a responder ante a Justiça de seu país pelos crimes atribuídos a ele, mas desde que seja restituído ao governo, de onde foi tirado em um golpe de Estado ocorrido em 28 de junho.
“A solução desta crise passa por minha restituição, pelo respeito à democracia”, disse ele, em uma entrevista concedida ao jornal El Observador, do Uruguai. “Estou disposto a ir aos tribunais para responder aos processos que há contra mim, não tenho problema quanto a isso”, complementou. “Por isso voltei, porque sou inocente.”
O mandatário, que regressou ao país no dia 21 e está hospedado na Embaixada do Brasil, ainda negou ter violado a Constituição hondurenha ao promover uma consulta que teria como objetivo permitir sua eventual reeleição, como alegam opositores.
Opinião: Zelaya e o “Samba do Criolo Doido”
Josué Maranhão
Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo como ficou conhecido, nos anos cinquenta e sessenta, o jornalista Sérgio Porto, jamais poderia ter imaginado que, passadas poucas décadas, na vida real ele teria muito mais argumentos para usar na sua fantasia, o Samba do Criolo Doido.
Ao contrário das paródias que criou, imaginando situações absurdas, como o casamento da princesa Leopoldina com Tiradentes, ou o próprio Joaquim José proclamando-se Dom Pedro II, na via real atual o jornalista encontraria material abundante para suas alegorias.
Bastaria, para tanto, alinhar os militares hondurenhos, o falastrão Chávez, o alucinado Manuel Zelaya e, infelizmente, para tristeza dos brasileiros, o presidente Lula. Os personagens reais vivenciaram uma situação absurda, que ainda perdura e não se pode ter idéia quando vai terminar.
Governo de facto invade rádio e tira TV do ar em Honduras
Forças de segurança leais ao governo de facto de Honduras invadiram e fecharam nesta segunda-feira, 28, a Rádio Globo de Tegucigalpa, um dos poucos veículos de comunicação do país favoráveis ao presidente deposto, Manuel Zelaya. A TV Cholusat Sur, que também mantinha uma linha opositora está cercado por militares e saiu do ar. No domingo, o governo de Roberto Micheletti decretou um estado de sítio que proibiu liberdades individuais e limitou a imprensa.
Às cinco horas da manhã os jornalistas David Romero e Rony Martinez e sua equipe técnica começavam o programa Notícias Rádio Globo quando cerca de 300 soldados do Exército encapuzados cercaram o edifício. Eles derrubaram a porta principal, que fica no terceiro andar, e começaram a destruir o interior da rádio. Os funcionários correram para o fundo do prédio, de onde saltaram da janela para escapar da prisão. Alguns deles se machucaram na queda, segundo Rony Martinez.
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A guerra midiática e o Brasil
Época
Honduras é hoje um país dividido entre apoiadores do presidente deposto Manuel Zelaya, apelidado de “Mel”, e simpatizantes do presidente interino Roberto Micheletti. A situação é curiosa pois não há terceira via.
Ou você é a favor de Zelaya, ou você gosta de Micheletti. Qualquer opinião diferente soa estranha aos ouvidos dos hondurenhos. É como se, no campeonato brasileiro, só houvesse o Fla-Flu.
Esse cenário se repete nos meios de comunicação do país. As televisões estatais, nas mãos de Micheletti, são usadas deliberadamente para atacar Zelaya. Denúncias de que ele teria desviado dinheiro público para gastar com uma de suas paixões, os cavalos, pipocam sem parar.
Fidel dedica breve artigo a encontro com presidente de Honduras
O ex-presidente cubano Fidel Castro descreveu, em seu novo artigo, seu encontro com o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, ocorrido na última quarta-feira, qualificando-o como “um bom homem” que “sofre os abusos do império”. Em uma breve publicação, divulgada na última quinta-feira, Fidel declara ter apreciado, através dos relatos de Zelaya, a “profunda aversão [do mandatário] ao sistema econômico dos Estados Unidos”.
Segundo o ex-presidente cubano, o hondurenho disse que “o sistema capitalista é a mais repugnante concepção da justiça que pode albergar o ser humano”. Fidel ainda comparou Zelaya ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, que “encontrou nas ideias de Cristo a fonte de inspiração que alimenta sua concepção de justiça” e declarou que o hondurenho “é sem dúvida um bom homem, com forte dose de tradição e inteligência assombrosa. Sua voz na tribuna soa como um trovão; na conversa pessoal, discreta e de acento familiar”.













