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O PRESENTE DE QUEM FALA A VERDADE
Vinícius Ferraz de A. Simões
Foi-se o tempo em que falar a verdade era sinônimo de caráter e de reconhecimento individual perante a sociedade. O que foi visto nessa semana foi um ato completamente impensado da parte de uma pessoa que decide os rumos do país.
Jobim fora demitido por falar a verdade. Um ato que até então parecia de total idoneidade, digno de um homem público como ele era, mas que por circunstâncias política lhe rendeu uma demissão. Ora, todos sabiam da amizade pessoal entre Nelson Jobim e FHC, mas parece-me que o Partido dos Trabalhadores tenta extinguir de qualquer forma a oposição que os atormenta através dos meios de comunicação, o que potencializou a crise nesse governo e as suas sucessivas demissões ministeriais.
Além da verborragia, o agora ex-ministro Nelson Jobim tinha sonho de ser presidente
Aos 65 anos, Nelson Jobim é um misto de político e jurista que ocupou sempre cargos de primeira linha nos três Poderes da República. No Legislativo, foi líder do PMDB na Constituinte (1987/88), embora deputado de primeiro mandato; no Judiciário, foi presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); no Executivo, foi ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso e da Defesa nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff. Em todos, envolveu-se em polêmicas.
Mesmo com sua carreira bem-sucedida, Jobim quer mais. Busca reposicionar-se politicamente, de forma a aparecer como o nome do PMDB numa disputa pela Presidência da República em 2014, caso o partido se desgrude do PT.
Nos últimos meses, tornou-se uma espécie de consultor e conselheiro de um grupo de senadores não-alinhados com a direção peemedebista, entre eles Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE). É nesse núcleo que considera viável construir o caminho que o leve à Presidência.
Opinião: Jobim, o grosso
Eliane Cantanhêde
Certa tarde, há alguns anos, dois carros andavam em sentido contrário numa estrada poeirenta, derraparam numa curva ao mesmo tempo e bateram de frente no meio da pista. Os dois motoristas, que quase não se machucaram, gritavam um com o outro, ameaçando trocar socos e sabe-se lá mais o quê. Uma amiga minha, dessas duronas, saiu enfezada de um terceiro carro, deu uma bronca num motorista, deu uma bronca no outro e mandou todo mundo pra casa. Cada um que arcasse com o seu prejuízo. Resolvida a questão, ela entrou no seu carro e foi-se embora.
Toda vez que vejo o ministro Nelson Jobim (Defesa) metido numa confusão no governo, me lembro dessa história. Jobim é como aquela minha amiga durona: não quer saber de lero-lero, quer saber de solução.
Tem caos aéreo e ninguém se entende? Ele vai lá, troca todo mundo e a coisa anda. Tarso Genro dá uma das suas e os milicos ficam em pé de guerra? Jobim vai lá, dá um tranco e todo mundo se aquieta. A área econômica ameaça cortar o aumento dos soldos, e oficiais de todas as Forças se arrepiam? Jobim acerta tudo com Lula e pacifica a turma.













