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Opinião: Clima, autoestima e política
Eugênio Bucci
Começo por uma laranja estragada que uma vez segurei com a minha mão direita. Mais que madura, ela estava passada. Uma espécie de gosma ressecada, num verde escuro abjeto, espalhava-se pela casca amarela, delimitando continentes irregulares.
Isso já faz muito tempo, lá se vão três décadas ou mais, mas não esqueço. Fiquei dividido entre a curiosidade adolescente e a repugnância instintiva – e também ideológica: a imagem viva daquela praga na casca do fruto tinha conspurcado uma reserva imaginária que eu trazia da infância.
Uma laranja, aos meus olhos, não era uma mercadoria de supermercado, mas uma dádiva sem valor de troca, que a gente colhia com as mãos. No quintal da casa em que cresci, havia um pé de ilhoa, que nos deu safras incontáveis, doces sem ser açucaradas. Talvez por isso, quero dizer, talvez em função desse vínculo afetivo, a laranja estragada entrou no meu código visual como um agouro maligno.
O futebol e a política não se misturam
Rogério Schmitt
O fato de o Brasil ter sido escolhido para hospedar, na próxima década, os dois maiores eventos esportivos do planeta (a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016) trouxe de volta a polêmica sobre as relações entre o futebol e a política.
Todos conhecemos, por exemplo, a máxima de que as vitórias do Brasil na Copa do Mundo ajudam os governos a ganhar as eleições. Se essa tese estiver correta, a eventual confirmação do favoritismo brasileiro na Copa de 2010 na África do Sul facilitaria a vitória da ministra Dilma Rousseff nas eleições presidenciais.
E a derrota nos gramados daria mais chances para o governador José Serra. Mas a história recente demonstra não haver correlação nenhuma entre o desempenho da Seleção na Copa e os resultados eleitorais.
Oito deputados devem trocar de partido

Marcelo Nilo deve ir para o PDT
Parlamentares e pretensos postulantes à disputa eleitoral de 2010 acertam os últimos ponteiros para as mudanças de partido, até o próximo dia 3 – prazo máximo estabelecido pela Justiça para a realização de trocas partidárias (um ano antes da eleição).
Na Assembleia Legislativa da Bahia calcula-se que há cerca de oito deputados estaduais que devem mudar de legenda. Na Câmara Federal, pelo menos três deputados.
O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (sem partido), oficializa sua filiação ao PDT dia 30, às 18h30, no Centro de Convenções da Bahia. Com ele leva para a legenda mais três deputados estaduais: Emério Resedá (PSDB), João Bonfim (DEM) e Paulo Câmara (PTB). O evento vai contar com a presença do ministro Carlos Luppi (Trabalho), presidente nacional do PDT e articulador da aliança do partido com o governador Jaques Wagner.
Papa comenta importância de ética e moral na política
O papa Bento XVI ressaltou a “importância dos valores éticos e morais na política”, durante a audiência geral desta manhã, realizada na Praça São Pedro, no Vaticano.
“Cumprimento os expoentes da Associação Interparlamentar Cultores da Ética, os quais a presença me dá a oportunidade de ressaltar a importância dos valores éticos e morais na política”, disse o Papa referindo aos membros da organização italiana, presidida pelo senador Leonzio Borea, da União Democrática de Centro (UDC).
Diante de aproximadamente 15 mil fiéis, Bento XVI voltou a falar da função e da missão dos padres, em ocasião do Ano Sacerdotal, inaugurado no último dia 19 de junho. De acordo com o Papa, há “dois elementos sempre essenciais para os sacerdotes: anunciar o Evangelho e dar a isto o poder de afugentar os maus espíritos”.
Renan Calheiros pode assumir PMDB em 2009

Volta ao poder
Uma ofensiva junto aos governadores peemedebistas, capitaneada pelo senador José Sarney (PMDB-AP), garantiu o apoio da maioria dos senadores do partido ao nome de Renan Calheiros (PMDB-AL) para o cargo de líder da legenda em 2009, exatos 14 meses depois do parlamentar alagoano ter renunciado à presidência do Senado em meio a denúncias de corrupção. A liderança faz parte do pacote com que a cúpula peemedebista e o Planalto trabalham para evitar disputa entre o PT e o PMDB na sucessão do Senado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva programa uma reunião com a cúpula do PMDB dia 12 ou 13 de janeiro, para arrancar uma definição de Sarney. Ou o senador assume de vez que é candidato, ou libera a cadeira em definitivo para uma composição com o PT de Tião Viana (AC). Um dirigente peemedebista com trânsito no Planalto informa que Lula quer esclarecer o quadro. Argumenta que, na última conversa com Sarney, ouviu do senador que não seria candidato “em hipótese alguma”. A despeito da negativa, porém, seus correligionários seguem sustentando que ele é “candidatíssimo”. Um interlocutor palaciano diz que, por isto mesmo, Lula pedirá à cúpula partidária que se manifeste e, se Sarney assumir o desejo de presidir o Senado, ficará “muito tranqüilo”. Caso contrário, o presidente insistirá no entendimento em torno de Viana.
Divergências até entre aliados podem brecar reeleição de Marcelo Nilo
O cenário que antes parecia favorável para o tucano Marcelo Nilo, no que diz respeito ao embate presidencial da Assembléia Legislativa, parece ter ganhado novos contornos e, conseqüentemente, enfraquecido o seu desejo de reeleger-se. Há poucos dias, Nilo com base no bom trânsito que avalia ter no parlamento, dava sua candidatura como ganha. Entretanto, pelo menos três legendas já se manifestaram contrárias a essa possibilidade. As divergências, inclusive, estão partindo de legendas da própria base governista.













