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Opinião: O lulismo vai ao cinema
Eugênio Bucci
Começo por uma ressalva: o filme Lula, o Filho do Brasil, não é exatamente ruim. A cinebiografia do presidente da República, anunciada como a mais cara produção da história do cinema nacional, conta de modo envolvente a história que se propõe a contar. Emociona qualquer um que deixe uma abertura mínima para ser emocionado. É o que se pode chamar de um filme brasileiro tecnicamente bem feito.
Mas com que caráter? A resposta, por ser óbvia demais, não tem sido levada suficientemente a sério. Lula, o Filho do Brasil existe para promover a idolatria de um mito político – e ergue esse mito ao custo da destruição simbólica da política.
É claro que uma obra de entretenimento, mesmo quando diretamente baseada em fatos reais, como é o caso, pode muito bem virar as costas para a política. Pode optar por uma narrativa romanceada, mais açucarada, não importa. Há obras-primas melosas, inteiramente apolíticas, assim como há mediocridades acachapantes que se perderam na tentativa de retratar com fidelidade as tensões próprias do universo político.













